Planejando um intercâmbio

O sonho do intercâmbio cultural ronda a cabeça de muita gente. Uns dizem que o motivo é o aprendizado de um idioma novo, outros para ter uma vivência internacional, outros para focar nos estudos, outros para passear e vivenciar uma nova cultura e outros não sabem bem ao certo porque querem fazer, mas o querem!

Pesquisar muito é a maior e a melhor dica que posso dar!

Passei cerca de um ano planejando o meu intercâmbio no Canadá. Escolhendo para onde iria, quanto gastaria, onde iria ficar, quanto tempo poderia ficar, traçando mesmo os meus objetivos e roteiros. No meu caso os motivos eram diversos: vivenciar e melhorar o meu inglês, dar uma pausa pra cabeça após um ano de 2009 muito tumultuado e também passar dias focada exclusivamente em coisas do meu interesse (de vez em quando é bem justo, hein?!).

A escolha dos motivos que te movem eu acho fundamental para montar um roteiro bacana para a viagem. No meu caso os seguintes fatos ajudaram a eleger o Canadá como destino:

  • é economicamente mais viável do que Inglaterra ou mesmo Austrália para períodos curtos (a Inglaterra tem um custo de vida elevado também por causa da conversão de real x libra e a passagem para a Austrália tem o valor muito elevado para quem possuía apenas dois meses como limite de tempo de estadia)
  • não exige um visto tão burocrático quanto o americano. O custo para tirar o visto de estudante também é inferior ao do Tio Sam e você ainda pode fazer tudo, TUDO!, através de um despachante consular. Pra quem não é de São Paulo isso significa MUITA ECONOMIA de tempo, dinheiro e paciência.
    PS: Tá bom, tá bom. Foi também um protesto contra esse visto para os EUA que cada vez se torna mais caro, mais difícil e mais trabalhoso de conseguir. Vá vá vá!!! Mas enfim o seu caso pode ser diferente e se o seu sonho for mesmo os Estados Unidos recomendo que você vá em frente e se informe muito bem antes de ir para São Paulo pagar as 4837495834 taxas e esperar numa fila danada debaixo do sol.
  • é um país com boa aceitação ao estrangeiro. Como grande parte da população tem como antepassados imigrantes vindos das diversas partes do mundo com o objetivo de popular as terras frias canadenses, o fato de você ser de fora e um estudantes não lhe cria grandes problemas. Não espere essa mesma recepção se você está pensando em trabalhar nas terras gélidas! O fato de ser canadense ainda faz muita diferença na hora de conseguir um bom emprego na sua área. Porém se você está com ideias de sub-empregos ou empregos nas redes de fast-food, fique tranquilo, você não terá problemas.
  • eu já havia visitado o Canadá anteriormente, mas apenas Calgary e no ápice do inverno (viagem essa para outro post!). Estava na hora de visitar o lado quentinho do Canadá e numa época mais favorável!

Decidir a cidade/região que eu queria estudar também não foi fácil. Porém Vancouver fazia os meus olhos brilharem pelas belíssimas paisagens exibidas durante as olimpíadas de inverno acontecidas no começo de 2010. Eu sabia que o frio e o volume de chuva no inverno iriam me incomodar… portanto escolhi o fim do verão e o começo do outono para conhecer a cidade e começar também o meu curso de inglês.

Aliás, para quem tem intenção de aproveitar o intercâmbio para estudar inglês sugiro muita pesquisa entre as diversas escolas disponíveis e o calendário que cada uma oferece.  Não tenha a ilusão que em alguma delas você não irá encontrar brasileiros. Isso pode ser até minimizado, dependendo da sua escolha, mas somos quase maioria por lá (no caso de Vancouver, perdendo apenas para coreanos, taiwaneses e japoneses). Caso o seu nível de inglês  e de auto confiança seja grande você pode negociar com cada escola e pedir também indicação de acomodação (hotel, casa de família ou república). Caso o seu grau de desconfiômetro esteja muito elevado (como estava o meu!) sugiro você procurar ajuda por solos brasucas mesmo. Existem agências especializadas nestes programas que podem inclusive te ajudar na escolha da melhor opção para o seu perfil ( CI , Experimento, EF, STB).


DICA:

No meu caso eu escolhi a assessoria da Experimento por conforto e pelo ótimo atendimento que recebi na unidade que fica dentro da PUC Campinas:

Júlia Carvalho
Consultora de Intercâmbio
Rod. Dom Pedro I, km 136
PUC Campus I-Praça de Alimentação
Campinas-SP 13087-604
Telefone + 55 19 32564022 | 19 32563451

Pronto! Agora era hora de começar a viabilizar o intercâmbio pelo lado prático. O primeiro passo era conseguir 60 dias de férias no meu emprego (O.O).
A missão era quase impossível, principalmente pelo período conturbado pelo qual a empresa passava, mas eu consegui usar 1 mês de férias + 1 mês de licença não remunerada resguardada pelo sindicato. Não havia promessa de estabilidade quando voltasse mas aquela realmente era a minha hora de me dedicar aos meus meses sabáticos!


PAUSA FILOSÓFICA:
Tem horas na vida em que a gente realmente precisa fazer escolhas. E essa era a minha escolha. Lembre-se sempre que não há aqui certo ou errado: existe aquilo que você quer fazer. Os preços vão sempre existir.

Então seguindo as instruções da agência comecei a acertar todos os pontos:

ESCOLA:

Por recomendações de conhecidos que já haviam estudado fora eu escolhi a ILSC. Não é perfeita, tem suas falhas mas é bem confiável. Costuma reunir os melhores alunos (opinião dada por uma canadense que hospeda alunos de mais de uma escola).  Porém lembre-se sempre que quem faz a qualidade da aula é você, através da dedicação e participação.
Você pode escolher também a quantidade de aulas que você quer ter dentro de uma sessão (4 semanas) :

Full-time Intensive
30 lições/semana
9:00am – 12:00pm (Segunda a Sexta)
1:00pm – 4:00pm (Segunda a Quinta)
Full-time
24 lições/semana
9:00am – 12:00pm (Segunda a Sexta)
1:00pm – 2:30pm (Segunda a Quinta)
Part-time AM
17 lições/semana
9:00am – 12:00pm (Segunda a Sexta)
Part-time PM
13 lições/semana
1:00pm – 4:00pm (Segunda a Quinta)

Eu comprei o primeiro mês como Full-time Intensive e o segundo mês como Full-time. Por experiência própria não compre o intensivo se a sua intenção é também passear durante o intercâmbio e principalmente se você for ficar apenas um mês. Você vai querer participar das atividades da escola, vai querer vivenciar a cultura e vai estar completamente LOTADO de lição e de coisas para estudar. Saiba equilibrar.

Dedique-se, estude, não deixe de fazer todas as lições (afinal de contas VOCÊ está pagando, e caro, por isso). Mas passeie e não perca nenhuma oportunidade de se integrar nos grupos e atividades da escola. E sim, evite andar com brasileiros. Mesmo que você apenas fale inglês com eles o nosso sotaque brasuca é facilmente compreendido por conterrâneos e não é isso que você está buscando nesse desafio né? Estimule o aprendizado de novas culturas e se exponha ao diferente. Faça contatos, faça amigos! Todos estão no mesmo barco: em um país estranho, falando uma língua diferente da materna. Errar é parte do aprendizado.

Escolhido o tipo da sua sessão e a data de início, você será chamado a fazer, no primeiro dia de aula, um teste para saber em qual nível de inglês você se encontra. Recomendo dar uma estudadinha em casa antes de ir. Isso evita, como aconteceu comigo, de você passar um mês inteiro com a sensação que poderia estar uma turma a frente. No primeiro dia na escola também será feita uma apresentação, em português, da escola, dos prédios, da esquemática das aulas, da cidade, da acomodação e do sistema público de transporte. Preste muita atenção nestas dicas! Elas serão fundamentais para a sua adaptação rápida.

Caso você esteja em dúvida se escolheu a escola certa ou não, se vai se adaptar ou não, compre apenas uma sessão e caso goste, antes de vencer o seu pacote, inclua novas sessões. Vale também dizer que caso perceba que não vai se adaptar, corra para conseguir uma nova escola (são MUITAS em Vancouver) que tenha um calendário adequado ao seu.

ACOMODAÇÃO:

Opções é o que não falta: hotel, casa de família, apartamentos, repúblicas. Têm para todos os gostos e todos os bolsos também. Em geral os alunos compram juntamente com a sessão o pacote de acomodação em casa de família. Ou em alojamento caso você vá estudar em alguma faculdade/universidade.

Casa de família é uma experiência única (para o bem e para o mal!): você fará parte realmente de uma família (no meu caso, canadense) e participará ativamente da vida familiar e doméstica. Bom, pelo menos é isso que se espera. Caso você opte por essa modalidade você poderá escolher o tipo de família que quer fazer parte: com crianças ou não, com animais ou não, que permita fumantes ou não e por aí vai.

PRÓS CONTRAS
A família pode ser contratada para te buscar no aeroporto.Em geral ela vai te ajudar com dúvidas sobre a cidade, o sistema de transporte, dicas de lugares bacanas pra conhecer.Caso tenha alguma dúvida ou dificuldade no inglês você pode pedir uma ajuda. Eles vão fazer o possível para te entender e ajudar. Principalmente se houver crianças elas terão prazer em te ensinar.Os programas familiares geralmente te incluem como convidado de honra: churrascos, jantares e passeios. Isso é ótimo para conhecer novas pessoas e para vivenciar a cultura do novo país.Caso tenha algum problema com sua Homestay você pode reclamar junto ao setor responsável na escola e eles avaliarão a possibilidade de mudança.

Em geral as acomodações incluem meia pensão ou pensão completa. Isso é uma grande economia pois refeições costumam ser um item pesado no orçamento canadense.

Você precisará seguir as regras da casa. Isso pode incluir horários máximo de chegada, quantidade e horário de banhos e refeições.Os hábitos alimentares da casa podem não ser adequados aos seus. Você pode, educadamente, sugerir mudanças mas nada garante o cardápio a ser servido.É uma das modalidade mais caras a longo prazo (perde apenas para o hotel).As crianças podem não entender que você precisa de espaço e silêncio para estudar.A distância entre a escola e a casa pode ser maior do que as outras opções de estadia.Você será convidado a participar das atividades de limpeza. Pelo menos cuidar da limpeza e arrumação do seu quarto e das louças que sujar.

Você não consegue escolher a origem da sua família (não se preocupe pois todas elas falam inglês fluentemente). Logo você pode ser sorteado com uma família italiana que cozinha muito bem OU em uma família filipina de possui hábitos alimentares bem diferentes.

Minha experiência pessoal com a homestay em Vancouver passou por várias fases: amor, ódio, aprendizado e tolerância! Comparada com outras casas de amigos posso avaliar minha casa como boa. Fiquei com uma família canadense formada por mãe, filha de 10 e filha de 8 anos, de origem japonesa e com mais 3 estudantes (Japão, Taiwan, Suíça) durante o primeiro mês. No segundo mês ficamos apenas eu, a família e uma estudante da Tailândia que se tornou uma irmã.  O fato de ter escolhido uma casa com crianças, NO MEU CASO, foi um erro. Elas tinham muito mais energia do que eu pessoalmente conseguia aguentar. E era muito difícil fazê-las respeitar o meu espaço a não ser trancando a porta do quarto SEMPRE.

A mãe trabalhava em casa e isso a permitia ter sempre tempo para tirar dúvidas e indicar bom locais para visitar. Eventos eram bem comuns e eu era sempre incluída na lista de convidados. Isso pode parecer padrão mas alguns amigos reclamaram de não serem convidados para algumas atividades familiares. De novo, depende de sorte e do seu comportamento junto a família.  Outro ponto crítico para mim era a arrumação da casa. Com duas crianças em casa era regra a bagunça espalhada pela casa toda, escada, porão, lavanderia, cozinha… neste caso o máximo que se pode fazer é oferecer uma mãozinha (caso isso te incomode muito!) e manter o seu quarto como um oásis frente ao restante da casa.


DICA:

Caso você tenha a oportunidade de ficar mais que 4 semanas, seja esperto: pague apenas o primeiro mês. Caso você goste e se adapte à família, antes que o prazo se finde, você pode tentar renovar a estadia. Caso contrário você pode procurar o departamento da escola que lhe oferecerá outras famílias. Neste momento também você pode optar por alugar um apartamento ou ainda dividir a casa com amigos de outras nacionalidades. Não caia na besteira de morar com brasileiros. De novo lembre-se que você está pagando, e CARO, por essa chance de viver de maneira diferente da qual você já está acostumado.


TEMPO DE PERMANÊNCIA:

Isso vai depender basicamente da sua disponibilidade. Eu não diria pra desistir do intercâmbio caso você só tenha o seu mês de férias para realizá-lo, mas eu pensaria bem as minhas prioridades.  Em quatro semanas você tem muito pra aprender, muito pra visitar, muito pra fazer e em geral você está sempre correndo contra o tempo.

Até para o inglês é ruim. Quando você consegue entrar no ritmo de pensar, ouvir e falar já está na hora de pegar o avião de volta. Dois meses também não é o ideal. Mas foi o possível, então valeu.  Caso você queira e possa investir no intercâmbio como parte da sua vida estime pelo menos 6 meses. E lute para ficar um ano.

VISTO:

O visto canadense não é complicado de tirar. Você pode contar com inúmeros despachantes consulares que podem encurtar o caminho até São Paulo pra você. O custo geralmente compensa o tempo que você perderia de ir até o consulado canadense levar a papelada e buscar, depois do prazo determinado, o seu visto prontinho.  No meu caso, para ficar os 60 dias foi preciso tirar o visto de turista. Se você for ficar mais de 180 dias aí é preciso entrar com o pedido de visto de estudante (que também pode ser feito junto ao despachante).

Para pedir o visto você vai precisar:

  • Passaporte com validade mínima de 6 meses e passaportes anteriores (se tiver – principalmente se você tem visto para outros países, mesmo vencidos, em passaportes antigos).
  • 2 fotos 3 x 5 recentes coloridas, com fundo branco, sem óculos.
  • Cópia da Declaração do Imposto de renda completo com o recibo de entrega.
  • Cópia do extrato bancário.
  • Cópia dos 3 últimos holerites.
  • Se empresário: cópia do contrato social da empresa com a última contratual, do cartão CNPJ e dos 3 últimos pró-labores.
  • Se aposentado: cópia dos 3 últimos comprovantes de aposentadoria.
  • Se estudante: cópia de toda documentação de quem está pagando a viagem e comprovante de escolaridade, se menor autorização de viagem dos pais com, firma reconhecida.
  • Vistos Estudo até 6 meses: além dos documentos para visto turismo, anexar carta de aceitação da escola.
  • Vistos Estudo acima de 6 meses: além dos documentos para visto turismo, preencher Formulário de Permissão de Estudo, anexar carta original de aceitação da escola canadense e o passageiro deverá se submeter a exame médico realizado com médico credenciado no consulado canadense.
  • Visto para visitar/ ficar em casa de parentes/ amigos: apresentar carta-convite juntamente com uma cópia do documento de cidadania ou residência (status de imigração) da pessoa que você vai visitar. A pessoa no Canadá deverá enviar essa informação/documento diretamente para você anexar ao seu pedido.
  • Estudantes com destino a província de Quebec poderão precisar de aprovação  da mesma antes da emissão do visto. Essa aprovação é conhecida como CAQ – Certificado de Aceitação de Quebec. Essa exigência vale para cursos do ensino fundamental, médio e superior.

Estando a documentação toda certinha, tendo pago as taxas, dentro de 10 dias em geral chega o seu visto! Aí é só comemorar!

Visto Canadense - menos de 180 dias


PASSAGEM AÉREA:

Existem duas possibilidades para se chegar ao Canadá vindo do Brasil: fazer uma escala nos EUA (caso você possua visto) ou ir com escala via Toronto. Neste caso não é necessário nenhum visto adicional pois você já fará todo o processo de imigração em Toronto mesmo. Caso você vá para outras cidades no Canadá será a partir do YYZ que você pegará o seu voo de conexão.

A minha experiência é de voar diretamente para o Toronto(10h30) através da Air Canada e de lá pegar uma conexão até Vancouver(7h).

A Air Canada te dá direito a um STOP gratuito. Aproveite essa chance para conhecer a sua cidade de conexão (que em geral é Toronto).  Não esqueça de planejar hotel e pelo menos uns 4 dias para conhecer essa cidade maravilhosa (assim como Vancouver, Toronto será assunto de um próximo post)!


DICA:

Cuidado com o tempo de conexão em Toronto. No inverno os voos costumam atrasar e mesmo nas outras épocas do ano considere que você precisará passar pela imigração, retirar a sua bagagem e despachá-la novamente. Escolha intervalos maiores de 2 horas para dar tempo também de fazer uma refeição e não ficar refém do sanduíche vendido no voo de conexão.

Guarde com você também os fones de ouvido do primeiro trecho da viagem. Nos voos de conexão todos esses itens de conforto são devidamente cobrados.


Nos próximos posts vou contar um pouco mais sobre a experiência em si do intercâmbio. Caso tenha alguma dúvida fique a vontade em mandar um comentário!

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