Gyong-ju – a cidade mística da Coréia do Sul

Ter a oportunidade de conhecer a Ásia permeava os meus sonhos. Mal podia imaginar que tão quase que instantaneamente eu seria “teletransportada”  para lá.  Para me salvar nessa cilada gastronômica região pitoresca do mundo eu contei com uma grande amiga de intercâmbio (viu como fazer amigos no intercâmbio é fundamental?), a Dahye (정다혜).

Infelizmente tive pouco tempo para desfrutar da vida de turista na Coréia. Como a visita tinha motivos profissionais era melhor eu me acostumar rapidinho com o esquema cultural da cidade: tudo por lá acontece muito rápido e de maneira muito competitiva.  E quando eu digo tudo, é tudo MESMO: desde atravessar a rua, entrar no metro, pegar sua bandeja no restaurante até seguir uma fila de caixa… DICA: deixe de lado toda aquela gentileza que sua mãe te ensinou em casa… se você está na Coréia você precisa agir como os locais: não dê bobeira em filas aguardando pacientemente a sua vez. A única vez que fiz isso fui passada pra tras 5 vezes!!! Esteja atento para entrar no metro e não espere que isso aconteça de forma organizada… por aqui tudo é questão de sobrevivência!

“Pali, pali” é uma expressão popular coreana que significa “depressa, depressa”. Ela traduz perfeitamente o espírito dinâmico e apressado da Coréia do Sul e pode soar como uma dramática advertência ou até mesmo uma afronta ao modo de vida “sossegado” brasileiro. Não foi a toa que eles atingiram a representatividade econômica no mundo que tem hoje e muito menos as altas taxas de instrução do pais: em seis décadas eles conseguiram elevar o nível de escolaridade média de seus habitantes para 12 anos de estudo. Impressionante não é mesmo?  Bem que nossos governantes, inspirados por esse modelo de sucesso, podiam fazer “pali pali” um investimento nos nossos mestres e em nossas escolas.

Antes da semana corrida começar aproveitei para organizar o roteiro dos próximos dias. Aproveitei a base em Seoul para escolher o tipo de viagem que ia querer fazer no pouco tempo que ia me restar.  E foi assim que, no único fim de semana livre em Seul, tive a oportunidade de visitar a cidade histórica de Gyong-ju, capital da dinastia Silla, um dos três reinos da Coréia, há mais de 1.500 anos. A cidade está localizada há 370km ao sul de Seul  (fui de ônibus até Daegu e de lá segui de carro até Gyong-ju).  Tenho que agradecer muito à ajuda de minha amiga Dahye, sem ela seria impossível a comunicação em todos os lugares.  O inglês é pouquíssimo falado por aqui, a não ser por grupos jovens ou em locais muito específicos e turísticos da cidade de Seul (quanto mais para o interior mais difícil de se usar o inglês!).

Gyong-ju é um maravilhoso patrimônio histórico e cultural do mundo a céu aberto com atrações para todos os gostos e várias delas incluídas como patrimônio da humanidade pela Unesco. Começando pelo templo budista de Bulguksa, erguido pelo Rei Beop-heung para rezar pela prosperidade e paz no seu reinado. O templo foi restaurado e hoje conserva a mesma aparência de 1251(o templo original, erguido entre os séculos 6º e 7º sofreu diversos ataques, furtos e roubos principalmente durante a ocupação japonesa).  O lugar conta com muitos turistas do mundo todo, mas principalmente as crianças visitam esse templo como parte das aulas de história e cultura coreana.

Em seguida fomos ao topo de uma montanha visitar um dos lugares mais especiais que já estive na vida: a gruta budista de Seokguram. Ela foi construída no século VIII nos declives do Monte T’oham e em 1995 também foi incluida pela UNESCO como patrimônio mundial. Lá dentro da gruta existe uma gigantesca estátua de Buda olhando o mar… ma ra vi lho sa… de babar mesmo!  E como forma de preservação não são permitidas fotos 😦 Sendo assim a foto usada aqui foi retirada da internet.

A atmosfera do lugar não podia estar melhor: com os festejos do aniversário de Buda todo o local estava prontamente enfeitado com diversos balões coloridos os quais continham orações e pedidos vindos do mundo todo.  Algumas pessoas também aproveitam para deixar suas mensagens e orações registradas em telhas negras vendidas na loja de souvenir.  Procurando bem achei inclusive uma telha brazuca ali no meio! Depois de dias sem ver nada em português, o meu coração até se alegrou!!! =) DICA: Não perca a oportunidade de admirar a bela vista do local. Em dias de céu limpo e boa visibilidade é possível conseguir enxergar o mar lá do alto da montanha… Uma sensação única de paz!

Para fechar o roteiro do dia fomos relaxar um pouquinho em meio às colinas dos teletubbies que abrigam as famosas tumbas de reis da dinastia Silla no Cheonmachong (tumba do cavalo celestial) onde é possível, além de relaxar em meio ao parque, observar os objetos resgatados junto a tumba de um dos reis. Diversos artefatos da cavalaria, sendo diversos moldados em ouro estão expostos aos visitantes.

Para fechar  o dia resolvemos entrar de vez na cultura coreana: ficamos hospedados em uma tradicional casa coreana onde o quarto é composto por… por… por tudo, menos a cama! É isso mesmo! O tradicional quarto coreano tem o chão aquecido e vários “edredons e travesseiros” para tornar o chão um pouco menos rígido! hehehehe Particularmente para um corpo ocidental judiado por 24h de deslocamento aéreo e 12h de fuso esta é uma opção pouco recomendada. Minhas costas lembram dessa experiência até hoje!

Antes de voltar para Seul fizemos a última parada para visitar um tradicional povoado antigo coreana: Yangdong Folk Village datada do século 15, durante a dinastia Joseon. A vila é uma das mais preservadas de toda a Coréia e permite ao visitante se sentir em meio a uma atmosfera de calma e paz (muito diferente da sensação que estar em meio a Seul provoca!). O ritmo de vida dos moradores do vilarejo (sim ainda há pessoas morando nessas casas!) é completamente oposto aos ensinamentos da vida moderna coreana… por vezes alguns simpáticos moradores passam pelos turistas e lançam um ‘Annyeonghaseyo’ sorridente. Coisa rara por aqui e que me deixou com a impressão de que, UM DIA, os coreanos já tiveram tempo de dizer “oi”, “como vai?”, “desculpe-me”, “obrigado” e “por favor”.

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2 respostas em “Gyong-ju – a cidade mística da Coréia do Sul

  1. Did you left your soul in Seoul??? Ha…ha….ha outro trava lingua turistico. Claro que este é internacional. O outro foi Para…ti!!!
    Michelle quando eu for megalionario vou convidar voce para rodar o mundo ( e outras galaxias!!!) comigo.

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