Sorria, você está na Bahia!

Sol, praia, gente prestativa e sorridente… mas tranquilize-se: ir pra Bahia não é sinônimo de ir pra Salvador ou Porto Seguro (ufa!).

Particularmente ao montar um roteiro pela Bahia as experiências anteriores, nada agradáveis por sinal, me faziam relutar em pensar em um bando de gente muito pouco vestido e coberto por um abadá suando e pulando atrás de um trio elétrico gigante e com um som aterrorizantemente alto.  Por uma benção divina existe um mar de tranquilidade em meio a tanta “animação” baiana: Morro de São Paulo.

Morro de São Paulo situa-se na Ilha de Tinharé, município de Cairu no estado da Bahia. Fica há mais ou menos 100km de Salvador.

Como chegar lá?

Não se anime demais pensando que 100km passam rapidinho: são 100km mar adentro em um catamarã por 2 (LONGAS) horas. Calma! Você ainda tem a saudável opção do traslado semi terrestre, que pode ir por Valença ou ainda por Itaparica. Essa travessia (saindo do aeroporto de Salvador) pode variar de 3 horas e meia a 5 horas, mas costuma evitar o costumeiro e temido enjoo no mar.  Mais calma ainda… se você não tem problemas de orçamento e não treme de medo de avião você é um candidato a fazer a travessia de teco teco. Tá, eu pulo essa parte e não sei dar detalhes aqui no blog! Jamais!

Os catamarãs saem da frente do Mercado Modelo e custam em geral R$75,00. Vá preparado pra encarar a travessia com bom humor e NUNCA, JAMAIS, DE MANEIRA ALGUMA esqueça o seu dramin. E se possível leve alguns extras para oferecer aos seus companheiros próximos de viagem (afinal de contas de nada vai adiantar você tomar o seu remedinho e passar 2 horas assistindo a repetidas cenas de filme de terror na sua frente). Já para o traslado semi terrestre você pode também se informar nos guichês do mercado modelo para traçar a sua melhor opção.  Existe também várias agências de turismo que fazem diariamente (e as vezes até duas vezes no dia) essa travessia semi terrestre e, muitas vezes, saindo diretamente do aeroporto pela bagatela de R$ 80 reais. É um ótimo negócio principalmente para quem chega por via aérea em Salvador e pode economizar o taxi até o mercado modelo. DICA 1: tente fazer a reserva antecipadamente nessas agências de turismo para garantir o seu lugar, principalmente se você for para Morro durante feriados ou férias escolares. Por experiência própria recomendo a RBH Viagens que faz também o receptivo em Morro para diversas operadoras. Eles não são absolutamente sensacionais mas nos trataram com respeito e honraram com os horários e roteiros combinados. DICA 2: evite chegar de madrugada em Salvador pois a infraestrutura do aeroporto não é das melhores e você ainda corre o risco de não achar um cantinho seguro para dormir.  Caso opte por hotel fique de antemão sabendo que em a área ao entorno do aeroporto não oferece muitas opções além das diárias terem um custo/benefício bem ruim.  DICA 3: Economizar é válido mas particularmente não recomendo sair do aeroporto com destino ao Mercado Modelo de ônibus com parada no Elevador Lacerda. Pode ser preconceito ou o meu lado mineiro falando muito alto mas a região ali é bem estranhamente frequentada. Tem gente honesta lutando pra conseguir um espacinho no elevador mas também tem muito malaco de olho em turista. Aliás essa dica vale para todos os lugares em Salvador: fique esperto.

Uma vez em Morro, relaxe e ande!

Avistar o portal e o pier de Morro de São Paulo é quase uma miragem… E ver o que está por trás desse portal é quase um pesadelo: Pense em uma rampa íngreme. Multiplique por 2 e some o peso das suas malas e lembre-se que carros são proibidos na ilha. Ufa, ainda bem que você se preparou antes de sair de casa pra não trazer nada inútil pra cá né? Nada de sapatos de salto, nem vestidos chiques nem pesos extras! Particularmente foi puxado subir mas foi plenamente possível carregando minha malinha de 9kg. Vi muita gente sofrendo com malas de rodinha e vi também muita gente apelando para os “taxis” locais (que são carrinhos de mão prontamente operados pelos moradores locais ao preço de R$7,00 a mala pequena e R$ 10,00 a mala grande). DICA: Não aceite preços diferentes desses… (logicamente fique atento a data do post…) e não seja ingenuo. Em geral os moradores são muito honestos e tratam os turistas com carinho, mas sempre tem alguém querendo bancar o espertinho né?

Dependendo de onde fica o seu hotel compensa mais ou menos o serviço dos “taxistas”. Em geral para quem vai ficar na Vila eu diria que dá pra se virar. Os hotéis mais afastados tem transfer que saem a partir da segunda praia. Aí talvez acabe compensando.

Escolher onde você vai ficar hospedado também faz toda a diferença. Morro possui 5 praias meio que em seguida uma da outra: a 1a, que é bem pequena e curta, a 2a em que toda a badalação acontece e conta com vários restaurantes e hotéis, a 3a que já é mais extensa, mais tranquila mas possui muitas pedras, a 4a e a 5a que são mais selvagens, desertas e ficam a pelo menos 8km da vila. Do outro lado da ilha tem a praia da Gamboa com algumas pousadas também e acesso dependendo um pouco da boa vontade da maré. E tem a vila, que na minha opinião é o destino de tooooodos os turistas pelo menos uma vez no dia para as comprinhas ou refeições! E onde você deve se hospedar? Vai depender do seu propósito e do seu orçamento em Morro.

Vila – Para os práticos e que gostam de voltar ao hotel durante o dia.
Gamboa – Querem um isolamento com águas tranquilas e banhos de argila periódicos!
1a e 2a praias – Festeiros, empolgados e que não se sentem incomodados com o barulho.
3a e 4a praias – Para os que vão em busca de sossego, MUITO sossego e que gostam de fazer uma caminhada a beira mar ou não se incomodam em esperar o horário do transfer do hotel para a Vila.
5a praia – Celebridades 😛 Brincadeira! Para quem está disposto a gastar bem mais na hospedagem e não pretende ficar saindo do hotel. A praia é paradisíaca e a vizinhança é bem calma!

De toda forma, independente de onde você esteja hospedado, você vai andar por toda Morro. Seja pra ir almoçar, seja pra pegar o seu barco para um passeio ao redor da ilha até Boipeba (MUST see!) ou mesmo para ver o por do sol ma-ra-vi-lho-so no alto do farol! Então dica infalível é arrumar um chinelinho bem confortável (esqueça TODOS os outros tipos de sapato em casa pois as ruas por lá são de areia) e muito protetor solar.

Must see!

Fique atento a tábua das marés – aliás em Morro de São Paulo, muitas coisas dependem das marés, desde uma caminhada na praia, como passeios e até mesmo acesso a certos lugares. Então sempre que for para algum lugar, informe-se antes sobre as marés, principalmente sobre o horário previsto para o retorno! Pode ser perigoso voltar de alguns lugares na maré alta.

Por do sol – Passeio obrigatório! Saindo da Vila e passando em frente a praça da Figueira você verá o caminho que dá acesso ao Farol.  Logo no começo você verá a Pousada Passargada.  Muita gente assiste o por do sol ali tomando um chá da tarde. Os mais empolgados sobem a trilha até a Toca do Morcego e veem o por do sol ao som da musica eletrônica que rola por lá a partir das 16h. E o mais aventureiros vão até o fim da trilha até o observatório da praia do Curral. Ali o espetáculo é totalmente de graça e com a visão mais limpa por ser o ponto mais alto da ilha. DICA: Chegue cedo e reserve o seu espaço… costuma lotar de turistas dois por fotos ao por do sol e muitas vezes de pessoas sem noção espacial.

Gamboa – Prepare-se para perder 15 anos após o banho de argila na praia da Gamboa! É essa a propaganda que fazem. Eu tentei… mas num diria exatamente que funcionou como o prometido mas valeu a pena de toda forma. Saindo pela trilha perto do pier, com a maré baixa, você vai beirando aos paredões até chegar a praia da Gamboa. Com a maré alta é possível ir pela trilha que sai da vila e corta a ilha por dentro, mas o caminho é bem mais íngreme e cansativo.

Segunda praia – É aqui que o agito de Morro acontece. Um deck serve de calçadão ao longo dessa praia. Ali é o “point” pra quem gosta de ver e ser visto! Vários guarda-sóis estão sempre abertos em busca dos turistas. É também a melhor praia para banho de mar por ter menos pedras. Acostume-se com o assédio dos vendedores de passeio e garçons: é impossível evitá-los… tente apenas não se estressar.

Quarta e Quinta praias – Não esqueça o snorkel (tá bom, você pode esquecer e alugar na 3a praia…): com a maré baixa formam-se piscinas naturais de água quente e os peixes passam a ser um show a parte. Não esqueça também do chinelo para passar por sobre as pedras até as piscinas, pise devagar e com cuidado para não destruir os corais ou acabar cortando ou machucando os pés nas partes pontiagudas. Atenção também com a vida marinha: não leve nada além das memórias e também não deixe nada lá além do agradecimento por ter visto tamanha beleza. Na volta num deixe de tomar uma agua de coco no bar Pimenta Rosa em frente as piscinas naturais da quarta praia. Nunca vi um coco ter tanta água!

Passeio ao redor da ilha, incluindo Boipeba – Aqui novamente vale a dica da tábua de marés. Existe a parada do barco em dois pontos para piscinas naturais (Garapuá e Moreré), porém dependendo do horário e da maré você não irá aproveitar nada ou sorte apenas uma das paradas :/ Outra dica fundamental é se preparar: o barco vai pra alto mar e vai batendo contra as ondas durante 40 minutos: de novo dramin é item obrigatório além de um espírito de aventura bem avantajado. Fiz esse passeio em meio a “terceira idade” e chegou um ponto que senti que era elas ou eu… não vá caso sua coluna não esteja legal, ou você tenha medo do mar, ou esteja cansado, ou goste de viajar com conforto. É passeio pra aventureiro, e aventureiro preparado! No almoço não deixe de experimentar a fresquíssima lagosta. Na volta pelo Rio do Inferno o barco pára pra degustação de ostras em bares flutuantes de Canavieiras, próximo aos criadouros. Vale cada centavo! A última parada é em Cairú, a segunda cidade mais velha do Brasil. Particularmente? Estrutura de turismo muito deficiente e com muita exploração. A menos que a sua onda seja arquitetura colonial do século XV, XVI… pule essa parada.

Must eat!

Nenhum roteiro que se preze pode ficar sem uma dica gastronômica né? Em Morro encontrei o paraíso para o meu paladar e também para o meu bolso: o restaurante Bianco e Nero localizado bem no meio da Vila.  Destaque especial para os peixes e pela qualidade do atendimento. Dos sete dias por lá posso dizer que tive o prazer de ir pelo menos umas oito vezes ali… sem nenhum arrependimento.

Outra dica quente é a tapioca e o acarajé vendidos em frente a igrejinha da entrada de Morro. Hmmmm! Ambos são bem preparados e recheados. Os dois típicos pratos não ficam devendo em nada para os concorrentes que são preparados e vendidos de maneira bem frescurenta e cara na segunda praia.

E por último fica aqui o MICO gastronômico da ilha: o terrível e enganador de olhos de turistas sorvete da
Fragola, logo na entrada da Vila descendo para o caminho pra praia. A aparência é ótima, com várias frutas cortadas e amassadas por sobre o sorvete. Agora o sabor… vamos comparar a um pote de vaselina vencido. E é só isso que tenho a dizer. DICA: Não consegui tomar nenhum sorvete decente e maravilhoso na ilha. Mas se você, como eu, num passa sem pelo menos um picolézinho na praia vale a pena a recorrer a Sorveteria da Praça (perto da padaria, na Vila) onde picolés de Itu (são gigantes mesmo!) são vendidos a R$2,00 por uma senhorinha muito simpática. Não são inesquecíveis mas matam as lombrigas mais urgentes.

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